Adalmir, este documento marca uma data.
São dois meses desde a sua primeira aplicação, em 9 de abril — nove semanas de tratamento contínuo, sem faltar a uma consulta sequer. Nesse período você construiu algo que nenhum número descreve por completo, mas os números ajudam a enxergar: 7,1 kg a menos, gordura visceral em queda e um corpo que, pela bioimpedância, ficou seis anos mais jovem.
Preparei este material para reunir, em um só lugar, o retrato do que foi feito até aqui e o mapa do que vem agora. Leia com calma, volte quando quiser — ele é seu.
| Data | Peso | Variação |
|---|---|---|
| 09/04 | 88,2 kg | início |
| 16/04 | 86,1 kg | −2,1 |
| 23/04 | 85,8 kg | −0,3 |
| 30/04 | 84,7 kg | −1,1 |
| 07/05 | 84,5 kg | −0,2 |
| 14/05 | 82,8 kg | −1,7 |
| 21/05 | 83,0 kg | +0,2 * |
| 28/05 | 81,5 kg | −1,5 |
| 04/06 | 81,1 kg | −0,4 |
| Total | −7,1 kg | −8,0% |
Repare na semana de 14 a 21 de maio: a gripe tirou você do exercício e a balança chegou a subir 200 gramas. Olhando a curva inteira, aquilo não foi um problema — foi uma semana de vida real. O corpo se recuperou e a tendência seguiu firme. Guarde essa lição: o que define o resultado é a direção da curva, nunca um dia isolado.
E você mesmo notou algo precioso na consulta de 28 de maio: a comida ganhou mais sabor, e as pequenas refeições passaram a ser aproveitadas de verdade. Esse é o tratamento funcionando exatamente como deve — menos volume, mais presença à mesa.
Existe uma razão para não termos subido a dose: você está respondendo de forma excelente à menor dose disponível. No tratamento com tirzepatida, aumentar a dose é uma ferramenta que guardamos para quando a resposta diminui — não um troféu de etapa vencida.
Permanecer em 2,5 mg, por enquanto, significa mais resultado com menos efeito colateral, e todo o espaço do mundo para crescer quando for preciso. O ajuste virá no momento certo — e será decidido como tudo até aqui: juntos, na consulta de quinta.
Agora, uma conversa de médico para paciente, com a franqueza que você merece. Os exames que você trouxe na primeira consulta mostraram um perfil que pede a nossa atenção:
Em resumo: triglicerídeos bastante elevados, colesterol protetor baixo e glicose tocando a zona de pré-diabetes. Esse conjunto é o retrato clássico do excesso de gordura visceral — e foi por isso que pedi, já na primeira consulta, o ultrassom do abdome (para olharmos o fígado) e o doppler de carótidas (para olharmos as artérias).
A notícia boa — e ela é grande — é que o tratamento que você já está fazendo é exatamente o remédio mais potente para esses números: perder peso, derreter gordura visceral, mover o corpo. Por isso, completar dois meses é o momento perfeito para repetir e completar os exames: fotografar, por dentro, o progresso que a balança já mostra por fora.
Assim que os resultados chegarem, sentamos juntos sobre eles, lado a lado com os valores de entrada. Tenho boas expectativas — e quero que você veja com os próprios olhos o que estas nove semanas fizeram por dentro.
A caminhada virou hábito. A corrida apareceu — e da melhor forma possível: saindo da consulta direto para a rua. Falta o terceiro pilar, e eu insisto nele em toda consulta por um único motivo: ele muda o resultado final.
Quando o corpo emagrece, ele não escolhe sozinho de onde tirar — leva gordura, mas leva músculo junto se nada o defender. O treino de força é essa defesa. Músculo preservado significa metabolismo mais alto, glicose e triglicerídeos melhores, articulações protegidas e, principalmente, um peso que — uma vez alcançado — se mantém.
Ficha simples de corpo inteiro: agachamento, supino ou peitoral na máquina, remada, desenvolvimento de ombros e prancha. 2 a 3 séries de 10 a 12 repetições, com carga que desafie as últimas. Peça ao instrutor exatamente isso: "ficha básica de corpo inteiro, 2x por semana".
Agachamento até a cadeira, flexão com apoio nos joelhos ou na parede, remada com elástico, avanço alternado e prancha. 3 voltas no circuito, descansando 1 minuto entre elas. Um elástico de exercício custa pouco e resolve.
Regra de ouro: técnica antes de carga. E me conte na quinta como foi.
Não precisa gostar no primeiro mês. Precisa começar. O gosto — curiosamente — costuma chegar junto com a força.
Seu padrão atual — primeira refeição às 15h em alguns dias — tem uma explicação simples: a medicação tirou a fome, e sem fome a manhã passa despercebida. O detalhe é que proteína não se estoca: o corpo precisa dela distribuída ao longo do dia. Quando o dia só começa a comer à tarde, fechar os ~125 g diários se torna quase impossível — e quem paga essa conta é o músculo.
A solução não é se forçar a um café da manhã completo. É uma dose de proteína pela manhã, pequena e pronta: dois ovos, um iogurte com whey, um pedaço de queijo com o café. Cinco minutos que mudam a matemática do dia inteiro.
Coma devagar — o sinal de saciedade agora chega bem mais cedo, e o garfo lento é o seu melhor aliado para nunca mais passar pelo desconforto de exagerar. Quando a vontade de doce aparecer, converse com ela: fruta com pasta de amendoim primeiro; se a vontade persistir, uma porção pequena, sentado, com atenção — sem culpa e sem exagero.
E você comentou na última consulta que vem trabalhando o lado psicológico para comer melhor. Quero registrar aqui: isso tem valor enorme. Continue — é exatamente esse trabalho interno que transforma um tratamento em estilo de vida.
A aplicação segue semanal, às quintas. Se vier enjoo ou sensação de empachamento, o caminho é o que você já aprendeu: porções menores, mastigar devagar, evitar frituras e gorduras pesadas naquele dia. Se o intestino tender a prender — comportamento que já conhecemos do seu —, a resposta está no trio 3 litros de água + fibras (aveia, feijão, legumes, frutas inteiras) + movimento.
Para a dor de cabeça, hidratação primeiro — e observe o padrão com açúcar que você mesmo já identificou. Vômitos persistentes, dor abdominal intensa e contínua, ou qualquer sintoma que pareça fora do comum: não espere a quinta. Estou a uma mensagem de distância.
Sete itens. Nenhum heroico. Todos possíveis. E cada um deles conversa com os outros — a água ajuda o intestino, o músculo ajuda a glicose, a proteína da manhã ajuda o treino. O corpo é um sistema; nós só precisamos alimentar o ciclo certo.